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Edição Nº7 RAS – “Lusofonia – Sociedade colonial angolana”

2011/10/20

Artigos

‘Existem [mesmo] pecados para lá do Equador’. Por uma nova teoria crítica.

João M. Paraskeva

Resumo

Este artigo propõe um caminho possível para uma análise crítica em torno dos perigos das políticas de sloganização da educação. Para a consecução deste objectivo, o artigo contextualiza tais políticas no âmbito da estratégia desenhada pelo movimento hegemónico neo centrista radical que se tem empenhado em sucessivas estratégias de desideologização do discurso e das práticas educacionais. O artigo termina propondo ainda uma nova via para a teoria crítica, uma teoria crítica renovada, com forma de reconquistar o crítico no terreno da investigação e de combater seculares epistimicídios.

Palavras-chave:

Neo-centrismo radical, sloganização, desideologização, nova teoria crítica, epistemicidios.

Desenvolvimento e sustentabilidade ecológica.

Jacinto Rodrigues

Resumo

O novo paradigma ecológico terá que constituir-se com inovações ecotecnológicas em relação à biosfera e estabelecer novas atitudes sociais através de comportamentos éticos que impeçam esgotamento da biosfera, poluição e exclusão social. Em África, Wangari Muta Maatai revelou que as atitudes simples, como plantar uma árvore ou semear, associando homens e mulheres num interesse comum e público, podem contribuir para a justiça social e melhoria do planeta. O padre dominicano Dr. Ngofrei Nzamujo, criando o Centro ecológico de Songhai, no Benim, estabeleceu um modelo de escola de vida sustentável, baseando a formação, produção e o relacionamento numa actividade ecosistémica. Micke Pierce, no Zimbabwe, construiu um edifício baseado no biomimetismo (método criativo com base no funcionamento orgânico da natureza) que responde às necessidades bioclimáticas da região usando uma ecotecnologia apropriável. Estes são alguns dos passos para impulsionar um desenvolvimento ecologicamente sustentável.

Palavras-chave:

Ecologia, ciência com consciência, ecotecnologia, ecotecnosfera, inclusão social, metabolismo circular, simbiose, biomimetismo, tecnociência, tecnosfera, exclusão social, metabolismo linear.

Medo e vergonha: emoções comunitárias e emoções sociais.

António Pedro Dores

Resumo

Thomas J. Scheff defende ser a vergonha a emoção social por excelência. A tese deste artigo é a de que o medo está para a vergonha como a comunidade está para a sociedade. Por mais seguro que seja o ambiente social, continuamos a sentir medo quando nos ameaçam com exclusão na escola ou no emprego ou na família. Como comunidade e sociedade, também o medo e a vergonha são dois aspectos da mesma realidade confundidos um no outro, distintos pelos diferentes tempos de actuação. Tomam-se para estudo três casos ilustrativos da co-presença de medo e vergonha em comunidade e em sociedade. Conclui-se que a teoria social dominante se auto-limita a uma visão construtiva da sociedade, deixando-se colonizar acriticamente por emoções de vergonha e repugnância ao medo, em vez de as analisar, de enfrentar os respectivos incómodos e tirar os respectivos proveitos.

Palavras-chave:

Emoções, medo, vergonha, comunidade, sociedade.

Angola: Estrutura social da sociedade colonial.

Paulo de Carvalho

Resumo

O artigo aborda a estrutura social da sociedade colonial angolana nos últimos anos da colonização portuguesa, tanto do ponto de vista da estratifi cação social, quanto em termos de estrutura de classes. O autor apresenta os factores de diferenciação social na sociedade colonial angolana, enumerando três grupos elitários de cidadãos considerados “civilizados”, em contraste com os considerados “indígenas”. Por outro lado, depois de enumerar seis critérios de diferenciação, o autor apresenta uma tipologia de classes sociais para as pessoas economicamente activas da sociedade colonial angolana, considerando a existência de classes sociais in statu nascendi na sociedade central.

Palavras-chave

Estrutura social, estratificação social, classes sociais, elites, colonização.

Breve análise sobre o nativismo africano: sua relação ambígua com o poder colonial português.

Paula Morgado

Resumo

Este artigo pretende lançar algumas pistas de refl exão sobre uma das primeiras manifestações da Lusofonia em terras africanas, que ganhou expressão fundamentalmente por via de um movimento sociocultural denominado nativismo. Mediante o enquadramento histórico deste movimento, que atingiu o seu apogeu durante as décadas de 20 e 30 do século XX, ou seja, numa época em que os povos Africanos se encontravam sob a égide do domínio político e económico de Portugal, procurar-se-á evidenciar a natureza ambígua do nativismo enquanto movimento de resistência à colonização portuguesa.

Palavras-chave

Poder colonial, nativismo, movimentos religiosos sincréticos, literatura autóctone.

A lusofonia como retrato de família numa casa mítica comum.

Víctor Barros

Resumo

O discurso colonial hegemónico da ditadura do Estado Novo não desassociou a língua da representação e da narrativa do processo de construção imperial. Partindo da análise de um dos órgãos mais importantes da propaganda colonial salazarista, inquirimos sobre as formas de representação apoteótica da língua como expressão do “sentido colonizador” português e a consequente sacralização da ideia de atrelar as então colónias à esfera de uma “tradição” expressa pela cultura da língua. Subsequentemente, problematizamos os discursos sobre a lusofonia, tendo em atenção quer os usos que a memória colonial ganha na reconstituição parcial da versão pós-colonial da identidade nacional portuguesa, como também as ambivalências e contradições entre a ideia de uma suposta identidade lusófona e a força de outras memórias inerentes às representações identitárias dos diferentes interlocutores lusófonos.

Palavras-chave

Lusofonia, memórias do império, discurso colonial, mitos, identidades.

Da CPLP à Comunidade Lusófona: o futuro da lusofonia.

José Filipe Pinto

Resumo

A criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 1996, foi vista como a institucionalização da Lusofonia. No entanto, passados quase quinze anos sobre esse acto e apesar das várias alterações estatutárias, a CPLP ainda não atingiu a visibilidade que parecia ao seu alcance. Este artigo procura identifi car as razões dessa situação e tenta mostrar que a Lusofonia só terá a ganhar com uma mudança que transforme a comunidade de países numa comunidade de povos.

Palavras-chave

Lusofonia, CPLP, língua portuguesa, IILP, comunidade lusófona.

Literaturas lusófonas.

Francisco Soares

Resumo

O texto proposto explora algumas possibilidades de aplicação do conceito «literatura(s) lusófona(s)», experimentando possíveis fundamentos e obras exemplifi cativas.

Palavras-chave

Literatura, lusofonia, lusografia.

Influência da literatura brasileira na literatura angolana.

Anabela Cunha

Resumo

A literatura angolana surgiu nos finais da primeira metade do século XX quando um grupo de intelectuais decidiu rejeitar a influência europeia e ir à busca dos elementos culturais africanos que servissem de base para essa nova literatura. Numa época em se intensificava o regime colonial português em Angola, um grupo de jovens lançou-se ao desafio de “descobrir Angola”. Essa tomada de consciência por parte dos africanos acerca da sua própria identidade, originou um novo movimento intelectual literário que teve como modelo a literatura brasileira. Sendo uma literatura de contestação feita na clandestinidade e na guerrilha, as obras literárias expressavam o desejo de liberdade, denunciavam os maus-tratos sofridos e a discriminação, incentivando os africanos a lutarem contra o regime colonial.

Palavras-chave

Literatura, influência brasileira, colonização, movimento literário.

2011/06/07

Revista Angolana de Sociologia, publicada semestralmente – em Junho e Dezembro, é um órgão da Sociedade Angolana de Sociologia (SASO) e publica textos da autoria de sociólogos e outros investigadores sociais, angolanos e de outras nacionalidades.

A Revista Angolana de Sociologia é editada pela SASO (Luanda, Angola) e publicada pela Edições Pedago (Mangualde, Portugal). Trata-se de um espaço de debate sobre temas actuais e relevantes não apenas da sociedade angolana, mas também das sociedades africanas e do mundo contemporâneo em geral. O espírito da Revista Angolana de Sociologia (RAS) é estimular o debate, acolhendo e difundindo textos que contribuam para um diálogo transdisciplinar.

A RAS dirige-se não apenas a sociólogos, mas a todos os interessados em compreender de maneira rigorosa a complexidade e as dinâmicas dos fenómenos sociais contemporâneos.

Edição Nº 5 e 6 RAS

2011/05/24

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